PRIMEIRA VIAGEM DE AVIÃO

AVIÃO
Um passo, um pássaro.
Um pulo, um vôo.
Um frio no estômago
-um banheiro, por favor!
Lembrei-me de Belchior (o cantor)
“Foi com medo de avião
Pela primeira vez segurei a sua mão”.
Onde está você?
Na minha mente pipocavam filmes
Filmes de catástrofes aéreas.
Vendo a exibição das comissárias de bordo de como proceder em caso de tragédia.
Sem nenhuma média
A engenhoca já parqueava
Onde estão as aeromoças?
Quero um drinque!
A velocidade
Secura na boca
Cinto apertado
Sinto que quero beber, mijar, correr.
O aeroporto vai ficando e eu recordando
Não o do embarque, mas o do filme.
Noticias trágicas dos jornais
Tragédias com Boeing, Concorde e outros bichos mais.
Sinto-me passageiro de uma flecha
Lançada por um arqueiro invisível.
A velocidade
O prumo, o chão.
O erguer, o soerguer.
Estou voando!
Cadê a sua mão?
O solo diminuindo
As nuvens, a euforia.
Estou nas nuvens!
Que louca vontade de gargalhar
Lembro-me de você.
O aeroplano plaino voa e trepida.
O poeta só sabe que está nas nuvens
Nimbo, cúmulos e cirro.
Com quantas delas já brinquei e me inspirei.
Rio de Janeiro desaparece sob meus pés
É...Estou no ar,
Sensação estranha de idiota, de pássaro, de anjo, sei lá...
Falam do céu como morada do Pai
Xô, presunção.
Que absorvo é o branco como fumaça e o azul do firmamento
O pulsar de meu coração
O silêncio dos outros.
É o céu...
Nostálgico.
A velocidade não é percebida, só o planar.
Lembro-me de “Fernão Campelo Gaivota”
Como o ser humano é adaptável
Singrando por este mar de nuvens.
É relevante estar no céu.
Resta ao poeta
Este alguém que sempre viveu nas nuvens,
Seu habitat.
Depois de algumas doses, servida a bordo.
Relaxar e gozar
Sabendo que ao aterrisar
A sua mão irá encontrar.